 |
|
|
|
|
|
|
 |
| |
| |
As
Marcas e o Novo Cenário
Há coisas que nunca mudam, em sua essência.
Mudam os meios, mas os fins continuam os mesmos. Um
exemplo cristalino disso é o alardeado CRM. Ora,
"Gerenciamento do Relacionamento com Clientes"
é uma coisa que até a sua vó já
experimentou. Sim, é aquele mesmo exemplo batido,
mas bastante ilustrativo, da caderneta de armazém,
em que o dono do estabelecimento conhecia cada cliente
pelo nome e, mais do que isso, suas preferências
e necessidades. Agora, depois de anos de ofertas massificadas,
as atenções voltaram-se para a importância
da personalização e a Tecnologia da Informação
foi capaz de reproduzir aquela situação
de pleno conhecimento do "freguês" e
de suas particularidades. Ou seja, as formas mudaram,
mas a essência continua a mesma.
Da mesma maneira, tornar marcas conhecidas e, em um
estágio ideal, preferidas é uma verdade
presente na realidade das empresas. E mesmo conceitos
mais recentes e aparentemente inovadores, como o que
Al Ries e Jack Trout lançaram em
1981, com o livro "Posicionamento - a Batalha
por Sua Mente", trabalham com os mesmos desafios.
Lidar com marcas já existentes ainda é
uma questão de atuar em duas frentes, fundamentalmente:
alcance - torná-la conhecida do seu público;
e capacidade de envolvimento - fazê-la ocupar
lugar de destaque na mente e no coração
dos consumidores. Isso não mudou. Os principais
verbos continuam os mesmos: atrair, conquistar, cativar,
fidelizar.
O que está diferente é o cenário.
O computador já é vendido em supermercados
e ter um endereço eletrônico no cartão
de visitas não é mais exceção.
O Jornal Nacional já não tem o privilégio
de nos trazer todas as novidades. Já estava tudo
lá, no Terra, no ClicRBS, no UOL,
ou direto da fonte, na Reuters.com, quase que
instantaneamente.
Hoje, a Internet já é um fortíssimo
influenciador na decisão de compra. O comércio
eletrônico - vender, efetivamente, pela web -
ainda tem um longo caminho a trilhar, mas a pesquisa
virtual que antecede o ato da aquisição,
é cada vez mais comum. Desde CD's até
hotéis e pousadas, passando por automóveis
e apartamentos. Praticamente tudo pode ser - e já
é - pesquisado, esmiuçado e comparado
à exaustão pelos consumidores deste começo
de século.
Afora esse impacto na nossa própria realidade,
acrescente-se aí o potencial de consumo da nova
geração, que já nasceu vendo DVD,
escolhendo opções em inglês nos
videogames e mandando mensagens pelo celular. Já
foi tema de revistas: é a "geração
Y". Uma geração para a qual a
tecnologia não representa nada além do
natural, assim como é para nós o telefone
ou a geladeira. Já há quem identifique,
inclusive, uma nova leva de consumidores surgindo: os
"Internet-boomers", com força
proporcional a dos baby-boomers (os filhos da
explosão populacional norte-americana, nascidos
imediatamente após a Segunda Guerra Mundial).
Entretanto, seja qual for o nome com se queira batizar
esses novos consumidores, o importante é ter
consciência exatamente disso: eles são
novos consumidores. Têm hábitos
diferentes, novos valores e novas formas de interagir
com o mundo, com os indivíduos e com as marcas
que consomem. Você não se comunicará
com eles da mesma forma que hoje. É preciso adaptar-se
e evoluir.
Temos, de fato, um novo cenário configurado,
já para os atuais consumidores. Os canais pelos
quais as informações trafegam e as relações
são constituídas, estão definitiva
e irreversivelmente modificados. Interatividade
é a propriedade que diferencia e qualifica a
Internet. A comunicação via mídia
tradicional nunca é um diálogo, nunca
permite a manifestação do receptor. A
Internet viabiliza a possibilidade de reposta, de ação,
de escolha de opções. E é justamente
essa troca de impressões - e de informações
- o alicerce para construir relacionamentos duradouros.
Com o uso planejado da Internet, alinhando sua utilização
com os objetivos de mercado da empresa, é possível
gerar oportunidades de contato e relacionamento adicionais
às tradicionais e de forma muito mais freqüente
e mensurável.
É por essas razões que a Internet ganha
importância como instrumento efetivo nas estratégias
de marketing mais lúcidas. As empresas bem assessoradas
já conseguem tirar proveito do fato de a Internet
ser muito mais do que apenas uma nova mídia -
como muitos ainda defendem - mas sim, um novo canal
de relacionamento e de negócios.
No que diz respeito às marcas, especificamente,
o grau de segmentação e profundidade de
relacionamento proporcionados pela Internet representam
uma decisiva diferença, pois marcas líderes
são, em última análise, marcas
que conseguiram estabelecer um patamar invejável
de relação com seus públicos.
(Artigo
publicado na edição 2003 do caderno Marcas
de Quem Decide, do Jornal do Comércio, pág.
79)
Ricardo Formighieri de Bem é Diretor Executivo
da Divex Tecnologia e pós-graduando em Marketing
pelo PPGA/UFRGS.
ricardo@divex.com.br
voltar |
|
|
| |
| |
|
|
| |
| |
 |
|